Revista Pessoas & Negócios

Um novo mundo de oportunidades

Fundada em 2001, a BM VIV apostou de forma inovadora no sector da manutenção preventiva de instalações e equipamentos, acabando por se afirmar no mercado nacional, numa altura em que este era incipiente. Com a chegada dos tempestuosos anos de crise, a empresa lançou-se à descoberta de novos mercados, nomeadamente o brasileiro, tendo encontrado na cidade de Entre Rios, na Bahia, um novo mundo de oportunidades.

Foi na viragem do milénio que nasceu a BM VIV, vocacionada para a área da manutenção preventiva em instalações e equipamentos. No entanto, em 2004, e mesmo sem o cenário de crise económica que hoje atinge toda a Europa, a empresa começou a apresentar resultados negativos e, em Agosto de 2008, as perspectivas eram tudo menos animadoras, com a possibilidade, até, do encerramento eminente da empresa. Certo é que a BM VIV conseguiu inverter a tendência e chegar ao final desse mesmo ano com resultados positivos porque não se limitou a ficar de braços cruzados.

Nessa altura, a solução passou pela mudança de gestão da empresa e, sobretudo, pela diversificação das nossas áreas de negócio. Numa questão de meses, a BM VIV passou de estar tecnicamente falida a apresentar resultados positivos. Hoje, mantemos a manutenção preventiva, por mais marginal que seja em termos de resultados, porque é algo que está nos nossos genes. Entretanto, passámos a fazer instalações de sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado de grande dimensão – em médias e grandes superfícies como centros comerciais ou supermercados – bem como a certificação energética de edifícios e a qualidade do ar interior,

explica a directora financeira da empresa, Ana Paula Brito. A BM VIV criou também uma central de compras de equipamentos de energias renováveis importados. A ideia passa por

democratizar este tipo de energias, baixando os preços.

A empresa comercializa desde colectores solares térmicos até módulos fotovoltaicos, produtos de iluminação LED e derivados, entre outros. No entanto, a crise que o país atravessa tem prejudicado a venda destes equipamentos.

Infelizmente entrámos num período complicado, em que é difícil vender. Apesar disso, temos consciência de que o facto de não vendermos não está relacionado com os preços ou qualidade dos produtos, mas sim porque estamos, efectivamente, a atravessar uma fase complicada,

lamenta a responsável, que se mostra optimista ao clarificar que

Apesar desta realidade da economia em Portugal, a empresa recusa-se a desistir e segue agora novas orientações, tendo mesmo como linha de gestão a busca de novas oportunidades de negócio, como a aquisição, nos últimos meses, de um conjunto de múltiplas representações de equipamentos e serviços e com a busca incessante de novos negócios.

Descobrir o caminho para o Brasil

Apesar de ter atravessado tempos difíceis nos seus primeiros anos de vida, esta empresa constituída por uma equipa com 14 pessoas, mantém viva a vontade de partir para novos mercados e, à semelhança de cada vez mais empresas nacionais, a BM VIV está a descobrir o caminho, desta vez empresarial, para o Brasil. Mas, mais uma vez, a estratégia de implementação da BM VIV naquele país desmarca-se da de muitas outras empresas.

Quando decidimos partir para o Brasil, fizemo-lo porque neste momento, em Portugal, como se sabe, a capacidade de crescimento das renováveis é baixa, quase inexistente. Estamos a viver um fenómeno inverso ao do Brasil – enquanto lá há um grande crescimento da classe média, aqui ela tem vindo a diminuir,

atenta a responsável. Tendo em mente a criação de instalações para a empresa, a escolha do local foi preponderante.

Deslocámo-nos, numa primeira abordagem, a São Paulo, mas vimos logo que nunca poderíamos fixar-nos ali. É uma cidade onde já estão tantas empresas, que sentimos que não íamos fazer a diferença. Decidimos que queríamos estar no Brasil, mas nunca numa grande metrópole,

observa. Entretanto, surgiu a oportunidade de apresentar o projecto no Estado da Bahia, onde

a receptividade foi fantástica.

A cidade de Salvador parecia uma opção viável, mas, novamente, a empresa sentiu que aquela não seria a localização ideal. Ao contrário do que seria mais evidente, a BM VIV acabou por se fixar na cidade de Entre Rios, a cerca de 180 quilómetros e a duas horas de viagem de Salvador.

Pareceu-nos uma loucura, mas quando chegámos ao local e contactámos o prefeito, tudo fez sentido. Ele tem uma visão muito parecida com a da BM VIV – nós, em Portugal, nunca nos quisemos fixar nas grandes cidades. Trabalhamos a partir de Viana do Castelo para o resto do país. E ali, pensa-se da mesma forma. Entre Rios tem 60% de população desempregada e um dos principais investimentos da Prefeitura é na Educação e Formação Profissional. Ali, não somos apenas mais uma empresa; somos tratados como locais,

conta. A BM VIV é, assim, a primeira empresa de fora a investir em Entre Rios, com a ambição de gerar emprego e arrastar investimento para o local.

A população sabe que a alternativa a trabalhar connosco é continuar no desemprego. Daí termos sido tão bem recebidos. Sabemos que as pessoas vão vir trabalhar de sorriso nos lábios. Vamos investir na educação, através de um projecto que vai pôr na estrada um camião TIR apetrechado com os equipamentos das energias renováveis, para que os jovens aprendam o que podemos fazer, por exemplo, a partir do sol e do vento. Vamos ter material didáctico, vídeos entre outros.

A BM VIV tem no local um terreno de 16 mil metros quadrados e o projecto de arquitectura para a fábrica está a ser desenvolvido por um jovem arquitecto português.

Para já, não vamos iniciar a produção, vamos exportar daqui para lá. Fazemos planos para começar as obras num espaço já cedido pela prefeitura até que as novas instalações fabris estejam concluídas e, em Janeiro e Fevereiro, vamos iniciar a formação profissional em duas áreas, dos nossos futuros colaboradores e de uma rede de pequenos instaladores,

explica Ana Paula Brito. Para além disso, a BM VIV dispõe de uma bolsa de terrenos com 100 mil metros quadrados para empresas portuguesas.

Não vamos para o Brasil sozinhos, já temos connosco oito empresários e estamos em negociação com mais empresas e abertos e mesmo empenhados em ajudar muitas mais empresas a procurarem Entre Rios. Vamos criar o Centro Empresarial Português de Entre Rios, apoiado em serviços comuns, numa óptica de poupança de custos. Precisamos, por exemplo, de empresas que abasteçam a nossa linha de produção – desde electricidade, serralharias, estruturas metálicas entre outros,

conclui.

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